O MOSQUITINHO BIRIGUI... (UMA PICADA DE CULTURA)
(100 ANOS DE PILHAGEM E DESTRUIÇÃO DOS KAINGANG)
O topônimo Birigui é um nome de origem tupi refere-se a um tipo de díptero comum na região. Provém do vocábulo tupi mberu'wi, que significa mosca pequena.
Os indígenas que aqui habitavam eram os kaingang, uma nação do Brasil meridional. Sua língua pertencente à família linguística jê, do tronco macro-jê...
Curiosamente, não temos na cidade nem mesmo o nome que lembre essa tribo, a supressão de sua língua e cultura foi um dos efeitos colaterais da expanção capitalista dos anos 10.
Em 19 de março de 1912 um grupo dos Kaingang compareceu por
livre iniciativa no acampamento do SPI (Serviço de Proteção aos
Índios) no Ribeirão dos Patos, no Oeste Paulista. Denominoaram os brancos esse feito de pacificação dos Coroados e para os Kaingang do
cacique Rerĩ a pacificação dos fók.
Não era de conhecimento dos indígenas que
suas terras, que perteceram a seus antepassados, já estavam totalmente
loteadas e vendidas aos capitalistas do café.
Estimam alguns
pesquisadores que os Kaingang paulistas somavam, antes de 1910, 1200 pessoas, já em 1913, no ano imediatamente depois da colonização,
restavam 87 indivíduos, objetivando-se abrigar esse contingente o SPI comprou,
com a pouca verba disponível, pequenos pedaços de terra nas quais foram
confinados os Kaingang sobreviventes.
Comemoraram (!!!) em 2012 os 100 anos daquele episódio. Teria algo a sociedade
paulista, que construiu enormes riquezas sobre a terra e a vida
dos Kaingang, a dizer? Como pagar por essa dívida histórica?
A cidade de Birigui tem que reparar isso de alguma forma, não podemos comemorar uma data que não é para comemorar... O que dizer de uma cultura destruída pela frente de expanção capitalista?
O resgate da história do índigena que antes habitou essas terras com seus clãs deve ser revisitada sob pena de destruição da tradição pregressa...
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